Os espíritos da Ilha

Em meio a rotina de mergulhos, os voluntários começam a encontrar com algumas maravilhas da Ilha Anchieta: uma vida marinha diversa, e alguns animais terrestres também, como quatis, macacos-prego, e as nossas queridas capivaras. Além dos voluntários do projeto Mergulhando na Conservação, a Ilha agora tem mais dez voluntários de outro projeto, da própria Fundação Florestal. Eles estão na Ilha monitorando as espécies de borboletas que acontecem por lá. As borboletas são indicadores ambientais, então de acordo com as espécies que eles encontrarem, dá pra saber o estado de conservação daquele ecossistema! Para saber mais sobre esse projeto, é só acessar o instagram do parque: @parqueestadualilhaanchieta. Mas mesmo com tanta vida ao redor deles, a equipe não estava conseguindo encontrar a raia-chita. Tinha alguma coisa faltando, mas eles ainda não sabiam o que. 

Até que se deparam com um mistério: uma estátua de um senhor cabeçudo, segurando um bebê indígena. E ela trouxe muito incômodo pra Gabi e pro Lucas. Por isso, eles foram atrás dessa história, e encontraram respostas nada surpreendentes: a estátua é do padre Anchieta, uma figura que supostamente mediou a “paz” entre os indígenas e os invasores portugueses. Mas a verdade é que não houve paz nenhuma. O padre Anchieta foi um dos responsáveis pela colonização violenta do Brasil, pelo genocídio que aconteceu por aqui. Antes da invasão do Brasil, a Ilha Anchieta e todo o litoral eram ocupados por indígenas tupinambá, e outras etnias como guaranis. O Lucas e a Gabi conversaram com três pessoas que contaram sobre essa ocupação tupinambá, e sobre a resistência dos indígenas, que apesar de expulsos da Ilha e até de Ubatuba, se fortaleceram para voltar e retomar suas terras. 

Era o que estava faltando: como ninguém mora lá, encontrar a raia-chita era difícil mesmo, porque falta conhecimento local! 

E esse não é um problema fácil de resolver. Mas eles tinham que tentar, como fosse, encontrar pedacinhos espalhados desse conhecimento. E por isso, os voluntários conversavam com os visitantes e funcionários do parque, principalmente os que moravam em Ubatuba, em busca de dados e informações importantes para encontrarmos os sinais de vida da raia-chita!